Nutrição e Genética – os alimentos podem influenciar o DNA?

A relação entre a dieta e o desenvolvimento de doenças é bem conhecida. As escolhas alimentares podem proteger e blindar o organismo contra as principais doenças crônicas – obesidade, diabetes, hipertensão, alterações do colesterol, câncer – mas por outro lado podem ser o gatilho para o seu desenvolvimento. Os avanços da ciência e os estudos científicos nos fazem entender quais alimentos devemos escolher e uma boa orientação nutricional pode ser muito efetiva na prevenção de possíveis problemas de saúde.

2O que poucas pessoas sabem, mas que vem se tornando um tema muito atual na comunidade científica, é a relação da dieta e da expressão dos nossos genes. Este ramo, que ganhou força com o projeto Genoma Humano, vem sendo muito discutido por nutricionistas e vem trazendo resultados muito positivos para os pacientes. Estamos falando da Nutrigenômica, um novo ramo da ciência da Nutrição que tem como principal objetivo desenvolver dietas 100% personalizadas de acordo com a tendência individual para o desenvolvimento de doenças.

Na semana passada, a atriz Angelina Jolie veio a público para anunciar a sua dupla mastectomia. A retirada dos dois seios, criticada por uns e apoiada por outros, foi a decisão da atriz frente a descoberta de uma chance de 87% de desenvolver câncer de mama ou de ovários. Com a retirada das mamas, esta chance cai para 5%. Independente da avaliação se é certo ou não, o que podemos tirar como lição deste episódio é que atualmente cada vez mais teremos diagnósticos mais e mais precisos e nem sempre desejados.

Diante deste contexto atual, a Nutrição vem com força total no auxílio da prevenção das principais doenças crônicas não transmissíveis e também como ajuda no tratamento delas, caso o diagnóstico seja confirmado. A Nutrigenômica sugere que o caminho para se viver mais e melhor está em um cardápio personalizado capaz de interferir diretamente nos genes. E como isso é possível?

A genética trata de reações a nível celular e bioquímico. O DNA e seus componentes são moléculas muito pequenas, cujas reações tem uma influência um pouco mais abrangentes a nivel dos órgãos e sistemas corporais. Os alimentos consumidos diariamente fazem o caminho inverso, mas depois de digeridos, tem ação a nivel molecular e bioquímico podendo afetar diretamente o DNA daquele indivíduo. A cada consumo ,afetamos mais e mais o DNA e é desta forma que as doenças se manifestam.

1A dieta tem um papel muito importante na regulação da expressão gênica. Ao preferirmos o consumo de determinados alimentos, estamos escolhendo não danificar o nosso DNA. Pesquisadores canadenses divulgaram que o consumo regular de frutas e vegetais afeta um dos cromossomos ligados a disfunções do coração, por exemplo. Ou seja, ao deixarmos o nosso prato colorido, com uma grande quantidade de saladas e vegetais diferentes, estamos protegendo o nosso coração contra doenças.

A tendência é encarar a herança genética como imutável, algo que não conseguimos mudar nem com o maior esforço. E na realidade alguns casos são contornáveis. É necessário levar em cosnideração a individualidade biológica das pessoas, seu estilo de vida e sua herança familiar. Com simples opções alimentares é possível prevenir problemas futuros, que ainda não se desenvolveram.

A realidade nos mostra que não tratamos de prevenção. A busca pelo nutricionista só vem depois de um infarto, por exemplo. Ou então, indivíduos magros que se consideram saudáveis quando fazem um exame bioquímico descobrem que estão com o colesterol elevado buscam a reeducação alimentar pois estão cientes que correm risco de vida. Nesses casos, digamos, “tardios” ou que as pessoas já chegam no consultório com um diagnóstico não favorável, a organização da alimentação é crucial para o controle da doença e até para a melhora dos efeitos dos medicamentos no paciente. Mas quando falamos de prevenção, falamos de algo tranquilo, uma escolha de hábitos alimentares que podem de uma forma ou de outra inibir a expressão do gene responsável por uma determinada doença, e com isso, ela não se desenvolve.

O esforço de pesquisadores da Nutrigenômica é identificar e validar todos os genes cuja expressão possa ser modificada por componentes alimentares, para que esses alimentos sejam incorporados a estratégias nutricionais que visem melhorar a saúde e prevenir a doença – e, assim, descobrir a dieta ideal para cada ser humano, e os alimentos que podem influenciar positivamente a nossa herança genética.

O desafio é grande!!! Foram relacionados mais de 30 mil genes distintos nos 23 pares de cromossomos que o ser humano possui. Cerca de mil genes humanos ligados a doenças já foram identificados, assim como os nutrientes que tem ação sobre eles.

O exemplo mais clássico de Nutrigenômica é o acúmulo da enzima fenilalanina no sangue, responsável pelos danos no cérebro em pacientes com fenilcetonúria (PKU). Por isso, os bebês acometidos por essa doença genética são submetidos imediatamente a uma dieta especial, pobre em fenilalanina.

Este é só um exemplo, entre vários que podem acontecer. Os alimentos exercem um poder enorme na saúde e você pode se beneficiar deles facilmente. Alimentar-se de forma saudável é imprescindível para viver com saúde e qualidade de vida. Pense nisso e busque orientação, os benefícios serão visíveis!!!

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